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Estudar físico-química com olhos de ver (e não tanto como estudei durante o secundário; a disponibilidade mental para estudar assim* só veio depois...) fez-me perceber, para já, duas coisinhas:
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1. Quando coloco um líquido quente (que acabou de sair do microondas, por exemplo) num recipiente com um líquido frio (que estava no frigorífico, por exemplo), ocorre transferência de calor entre o que está a temperatura mais alta e o que está a temperatura mais baixa até se atingir um estado de equilíbrio, isto é, quando os dois líquidos estão à mesma temperatura.
É por isso que eu rio para mim mesma de cada vez que ponho chá quente (sim, porque agora aderi ao chá... vá, um agora de 2 meses) numa garrafa com chá frio e penso "Olha, acabei de fazer o que alguém chamou de 2ª Lei da Termodinâmica!" (Eu sei, é parvo mas sinto-me sabichona (xD) ao pensar que muita gente não sabe isto - sabem outras coisas que eu não sei, é certo - e ainda bem que assim é).
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2. Ora, a outra coisinha pensei-a eu hoje ao fazer gelatina. Porque é que para fazermos gelatina aquecemos a água, aliás, para ser mais precisa aquecemos até que ela comece a ebulição? Ora, fazer gelatina é dissolver um elemento - o soluto - (o "pó") na água (que é um solvente). Mas porque é que aquecemos o solvente? Porque a solubilidade (que é a propriedade que os solutos têm de se dissolverem na água; é algo quantitativo - uns solutos dissolvem-se com mais facilidade do que outros) aumenta com o aumento de temperatura (em quase todos os sais; há as excepções que não são chamadas ao caso - sais com uns nomes "engraçados" e fórmulas químicas ainda mais "jeitosinhas"). E isso significa que a reacção é endotérmica; isto significa (falando português) que para que a dissolução do "pó" na água ocorra é necessária energia, energia essa que "vem" do calor da água (porque um líquido a temperatura mais alta tem mais energia - que resulta do movimento das partículas que o constituem: energia cinética).
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* estudar assim significa ter disponibilidade mental para perceber que o mais importante não é saber tudo ou decorar o que quer que seja mas antes perceber o porquê de certas coisinhas que acontecem e que, apesar de não parecerem muito importantes, podem ajudar a "perceber mais do mundo".
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Post-scriptum 1: Quem perceber destas coisinhas e ler isto vai encontrar incorrecções porque eu não tenho a destreza/clareza/o que lhe queiram chamar de explicar isto completamente bem. Por outro lado, e é isso que espero, quem ler e não perceber deste tipo de coisinhas pode ser que perceba.
Mais do que perceberem o que aqui escrevi, o que mais interessa é que percebam o bem que sinto ao percebê-las (eu).
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Post-scriptum 2: Acabei de me lembrar de um dia em Março, que acabei por não registar por aqui, em que sai da Biblioteca de Belém com um sorriso na cara e telefonei à minha mãe apenas para agradecer a oportunidade de estudar, de ter mudado de vida em segundo caso, e de "perceber mais sobre o mundo"; nesse dia não era algo relacionado com ciência mas antes com a visão que filósofos antigos tinham do cérebro, da consciência, da alma - as aulas de psicofisiologia fizeram-me "ter curiosidade e ir procurar".
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Post-scriptum 3: Coloquei a marquinha Dias porque este é dos dias em que outros me chamariam nerd (e eu feliz com isso ficaria).
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That's it and it is called life.
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