ser feliz (auto-ajuda? not yet)

Ser feliz é ter a capacidade de estar com as outras pessoas e partilhar a nossa felicidade. Foi isso que aconteceu 4f com a M. É isso que acontece com os amigos do YSC. É isso que acontece com a F.
Ser feliz não é estar junto dos outros porque achamos que vamos ser felizes com eles.

(dias em que estamos sozinhos permitem-nos pensar nestas coisas e ultrapassar outras)

não é fácil

Quem sai de casa e muda de vida aos 17/18 anos, acaba por ficar dividido entre 2 mundos, principalmente se eles são quase imiscíveis como os meus mundos.
Ficamos com amigos cá, lá e noutras cidades.
Ficamos com a família lá.

Às vezes seria tão mais fácil, tão mais protector, se fosse possível passar o fim de semana em casa.
Porque o mundo não é um sítio previsível e familiar e é frequentemente fácil sentirmo-nos sozinhos, mesmo que tenhamos só um mundo. 

São precisas muitas voltas, muitos rodeios, para ser realmente feliz. Muita construção, muitos dentes cerrados, muitas vezes ir em frente e ultrapassar as crises com um sorriso mesmo que o que mais apeteça é chorar o resto do dia. 

Levamos vantagem no nosso processo de construção de uma vida porque começámos antes dos outros. E isso é infinitamente bom.
Deixamos de ter o nosso mundo, a nossa bolha. E vamos à procura. 

completamente fascinada

Adele - Someone like you. 

porque estou feliz. porque quero partilhar e porque me apetece escrever.

Gosto de olhar para o meu braço e ver a pulseira azul.
Gosto de saber que tenho objectivos na vida.
Não desgosto da incerteza de saber se poderia ser mais feliz.
Gosto da certeza de que estou a crescer e a passar as melhores fases da minha vida.
Gosto de saber que há alguém interessado na minha vida actual.
Gosto de saber que a minha vida não se resume à faculdade.
Gosto de conversas longas sobre viagens, sonhos, cultura com 3 das pessoas que me são mais. 
Gosto que aquilo que sinto não seja depressão (como já foi) mas felicidade pelo que está a acontecer [porque, mais uma vez - à semelhança da faculdade (vide uns posts algures), por exemplo, fiz por isso]. 
Gosto de saber que há pessoas com as quais os planos passam por ir ao teatro, a uma aula de ioga, passear a pé, correr ao início da manhã de sábado. 

Gosto de me estar a envolver nas actividades da IDF, da APDP... porque a diabetes não me faz ser menos pessoa; faz-me, pelo contrário, ser mais.

Porque hoje foi um bom dia, hoje foi um óptimo dia. 
Hoje recebi boas notícias, estive com pessoas que me fazem procurar ser mais e ser eu própria. Todos os clichés dizem que devemos ser nós próprios mas isso não é fácil. É um processo de construção árduo porque temos que nos abstrair do que nos dizem desde sempre ter que ser de uma forma ou de outra.
Sobre o dia de hoje quase não penso no que poderia ter sido diferente porque pouco poderia tê-lo sido.
A partir de hoje já vou olhar para o meu braço (para a minha pulseira azul; porque antes só olhava para o pin na minha mala) e lembrar-me que tenho um caminho a ser feito, caminho que até há um tempo nunca pensei que me poderia trazer algo bom. Mas trouxe. Muito. E o melhor é que vai continuar a trazer cada vez mais. 
Outro cliché diz que nos devemos aceitar como somos. Mais uma vez estamos perante um processo de construção moroso. Não diria mais moroso do que o processo de sermos como somos mas certamente mais próprio. Eu não só aceito mais aspectos da minha vida que não posso mudar como ainda me sinto feliz com isso. E isso é aceitarmo-nos e darmos os passos em frente da aceitação. Porque aceitar é uma coisa. Ser feliz é o passo seguinte. 

(não, isto não é um texto tirado de um livro qualquer de auto-ajuda por muito que seja semelhante)