Hoje às 14h28, exactamente 21h32 depois de chegar do Amoreiras, acabei de ler o livro de 486 páginas que comprei.
Sai de casa ontem com a desculpa de ter de ir ao supermercado mas não era bem isso. Só me apetecia ler, ler um livro novo até não haver amanhã. Ler sem me preocupar com absolutamente nada. Ler pela pura e adorável sensação de ler.
E lá fui eu, convicta de que iria apanhar a molha que apanhei. Mas contente. Era ao mesmo tempo uma forma de passar o fim de semana e uma forma de comemorar o facto de agora conseguir gastar menos dinheiro no supermercado e poupá-lo para oferecer certos presentes a mim própria. Este o primeiro deles.
E pronto. “Quando Lisboa Tremeu” lido. E o que posso dizer?
É um romance histórico como podem adivinhar pelo título. A vida das 5 personagens mudou a partir do fatídico dia de todos-os-santos de 1755. A vida dos vivos de Lisboa não voltou a ser a mesma. Milhares morreram e não apenas do terramoto ou “das 3 ondas” que varreram a Baixa. Sebastião José de Carvalho e Melo aproveitou para controlar a situação e tornar-se dono de uma posição privilegiada, posição essa que mereceu por toda a lucidez, clareza de espírito e visão de futuro com que observou e agiu na tragédia.
Imaginar os sítios que hoje conheço (e que tanto gosto) sobre tão grande destruição é de uma força impressionante. Não ficaria tão impressionada se lesse mas não soubesse a dimensão simplesmente porque não conhecia os sítios. Sabendo, por exemplo, a distância que separa o rio do Rossio temos uma ideia da força das “ondas”. Sabendo que para chegar de Belém (onde estava a Corte a assistir à missa) ao Terreiro do Paço, Sebastião José de Carvalho e Melo, no dia depois do terramoto, demorou um dia quase inteiro, percebe-se o que se passou. Imaginar a minha Lisboa, a cidade onde vivo há 3 anos, a passar por tamanhos sofrimentos e tão destruída é uma sensação forte.
E a força humana do rapazinho que sempre acreditou que a irmã estava viva. E ver os jogos das pessoas a tentarem sobreviver em tão grande tragédia, cada um a tentar juntar-se a pessoas mais poderosas, a dar o que tinha e o que encontrava para sobreviver; as fraquezas humanas tão presentes.
Nunca tinha lido um livro com tanto sexo à mistura. Por tudo e por nada, porque sim, porque é uma tragédia, para sobreviver, porque sobreviveram, porque são bons aliados, porque estão ali ao lado, por tudo. Tragédia, os instintos mais primários como a sobrevivência e o sexo a pares.





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