de outros blogs (e que quase poderia ter sido escrito por mim)

Querida Sofia,

A verdade é simples e inconfortável. A verdade é que a cada pergunta do género de: “oi Elite, como vais?”, vou respondendo, como posso, uns “tudo bem” enquanto raramente, lá dentro, estive pior. Não sei se é possível estar deprimido estando perfeitamente ciente que se está deprimido. Uma pessoa pode dizer “oi, estou deprimida?”. Ou mais vale deixar a coisa passar de dizer dentro de alguns anos, como digo de 2004 “ah, estive deprimida, foi horrível, considerei várias vezes as facas da minha casa, a janela para me atirar, o metro que chegava” e outros que tais?

E como ao mesmo tempo, adoro escrever mas detesto queixar-me, prefiro não dizer nada. Tenho raiva das pessoas que nunca estão bem e não me quero juntar a esse molho vergando-me então ao silêncio e a um certo manter das aparências.

Eu própria não sabia que estava assim tão triste. Mas…

1/não ir às aulas
2/não fazer desporto
3/não conseguir dormir sem ajuda de medicamentos e nem isso
4/não arrumar a casa
5/não escrever no blog (a sério, se uma pessoa escreve TODOS os dias há quase cinco anos, quando não escreve, ou está ausente, ou tem namorado novo ou está com problemas)
6/estou confusa em relação a temas para os quais sempre tive apenas certezas
7/quero isolar-me do mundo. Fechar-me em casa, não sair, não ver ninguém, dormir e não acordar.

...

Se tivesse apenas uma dessas coisas, acharia normal e passageiro. Mas não, sinto e estou com tudo ao mesmo tempo. Então precisei de tempo. E ainda preciso de tempo. E preciso de menos perguntas. Preciso por vezes de uma preocupação mais silenciosa. Nem sei se isso é possível. Mas é o que eu preciso. E fico ansiosa por voltar aqui ao blog e contar como subi ao Sacré-Coeur e estava fechado (hello?), como tem nevado até entrar gelo nos ossos, como quase ressuscitei um falecido, como tenho um grupo de amigas fora do comum, e a história do bacalhau e do presunto, e tudo sobre a minha escola, e...

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