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Pequena dissertação sobre um tema pensado por toda-a-gente-que-"se-sente"
.Se há uns tempos, e quem me conhece sabe que é verdade, eu andava super feliz com a vida; agora, e para minha infelicidade, já não posso dizer o mesmo.
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Um conjunto de situações que se passaram no início e outras tantas durante o Verão, mais a chegada a Lisboa (onde, pelo menos inconscientemente, achava que ia ficar colocada e onde durante muito tempo, nos meus quase longínquos 16 anos - e digo-os assim porque imenso mudou desde aí -, acreditei ser o único sítio onde poderia ser feliz), conjuntamente com o início da faculdade, onde encontrei tudo o que encontrei (e foi muito, nunca me cansarei de o repetir), contribuiram em muito para esse sentimento de felicidade.
O facto de ter entrado sem utilizar o contingente (com o qual não concordava nem concordo), entrando assim onde a minha capacidade (reflectida nas notas do secundário) permitiu, também ajudou. E ajudou porque pelas primeiras vezes na vida acreditei, efectivamente, ter capacidade para alguma coisa.
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Esse sentimento, esse sentir foi, e não afirmo com certeza, da melhor que já passei na vida.
A comprovar isso estão os factos de ter conseguido controlar relativamente bem a minha doença neste período, achar que o tempo estava a "correr" super depressa (como se pode ver aqui --» http://oblogdajulie.blogspot.com/2008/11/cs-22.html), não ter extrema vontade de ir a casa no Natal porque as saudades não apertavam, não me sentir minimamente sozinha, etc. .
Eu penso que sabia nessa altura, e aqui vem a dissertação, que isso não ia durar muito tempo. Talvez achasse que podia prolongar esse sentimento (às vezes custa nomeá-lo e não o saber em mim agora), talvez tivesse uma pequena ilusão de que a minha vida poderia melhorar tanto que já não me lembrasse o que era estar nervosa, triste, a "arrastar-me" de um lado para o outro (e mais do que lembrar, sentir). Talves achasse que era capaz de me contentar com essa felicidade (durante mais tempo do que o que foi), talvez achasse que durante um tempo (que eu queria prolongado, ó se queria!) não tivesse que ir à procura de mais dela, ou talvez ainda não me tivesse preocupado a pensar nisso nessa altura... Sim, olhando para trás, foi mais isso.
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Agora, agora ando novamente "a caminhar", a percorrer "um outro caminho".
De cada vez que percorremos um caminho podemos afirmar que encontramos algo; já o disse, repito-o até à exaustão se preciso for. Eu encontrei, encontrei mesmo muito. Estive feliz, feliz, feliz... Encontrei pessoas, encontrei vivências, encontrei algo que não sairá da minha vida simplesmente porque não... Porque não porque não me vou pôr a pensar em explicações para isso. Já tenho demasiado em que pensar e há explicações como "porque não" ou "porque sim" que encaixam perfeitamente bem em coisas simples, coisas simples como não deixar "fugir" tudo o que encontrei...
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Nota final: Um dia talvez perceba porque é que há pessoas que não são capazes de pensar nas coisas. Um dia talvez perceba como é que elas são, pelo menos aparentemente, mais felizes.
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Post-scriptum: talvez devesse introduzir uma marquinha para Pensamentos...
Post-scriptum 1: depois de carregar nos "publicar mensagem" e "ver o blog", reparei que afinal isto não é assim uma dissertação tão pequena. bem, quem quiser que leia. por mim, e porque isso é dito ali ao lado e é verdade, isto é primeiro para mim; depois, depois para quem quiser.
Post-scriptum 2: O que é dito no post-scriptum 1 é tão verdade que me sinto mais aliviada depois de o deitar cá para fora. Isto significa que, realmente, o blog é primeiro para mim; primeiro para pôr para fora qualquer coisinha que esteja cá dentro de bom ou mau, de triste ou alegre, de todos os sentimentos/sentires/conceitos antagónicos que existem; primeiro para me sentir melhor.
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