* O 41/ L 15

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‘Diz-se que o tempo não pára, que nada lhe detém a incessante caminhada, é por estas mesmas e sempre repetidas palavras que se vai dizendo, e contudo não falta por aí quem se impaciente com a lentidão, vinte e quatro horas para fazer um dia, imagine-se, e chegando ao fim dele descobre-se que não valeu a pena, no dia seguinte torna a ser assim, mais valia que saltássemos por cima das semanas inúteis para vivermos uma só hora plena, um fulminante minuto, se pode o fulgor durar tanto.’
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in O ano da morte de Ricardo Reis
José Saramago
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Sim, tantas vezes mais valia que ‘saltássemos’ por cima de um par de semanas e que ‘aterrássemos de para-quedas’ umas semanas à frente. Outras vezes preferiríamos ‘aterrar’ umas semanas atrás e mudar algumas coisas, ‘fix things’ como tanto diz a Meredith Grey.
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Mas acho que não se deve pensar que qualquer dia não tenha valido a pena, há é uns que recordamos por certos motivos, outros que queremos esquecer por outros tantos motivos e outros que, de tão iguais a outros, são apenas mais um dia. Ser mais um dia, acho eu, não é motivo para dizer que não vale a pena. Contudo às vezes queremos tanto uma coisa e vivemos dias tão iguais até chegarmos a ela que achamos que mais vale a pena saltar umas semanas e sim, às vezes mais vale.

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