sobre a reportagem da sic (e um edit nostálgico)


Tenho os 4 canais principais. Não quero mais. Nunca quis mais.
E não é pelo dinheiro. É porque não, porque não preciso. Porque tenho mais que fazer. Porque não quero "ser escrava" da televisão. Porque há dias em que não a ligo. Por exemplo, cheguei 2f e ela foi ligada na 5f.
Mas não nego que, de quando em vez, ajuda a preencher um pequeno vazio de pessoas a falar.

edit: Publiquei e lembrei-me de uma conversa de 5f.
S para M - Mas tu não tiveste infância? Não vias o pokémon?

E eu pensei:
Eu tive infância.
Eu não sei nada do pokémon, nem daqueles outros bonecos chineses ou japoneses que agora nem me lembro do nome, nem de jogos de vídeo, nem de nada disso. Simplesmente porque tive a sorte de ter uma terra, de ter mais que fazer do que andar de volta da televisão, porque tive uma família que puxou por mim, que me ligou alguma coisa, que não me deixou começar a ficar fanática por jogos de vídeo (acredite quem quiser que nunca joguei playstations ou nitendos e que a única coisa que algum dia soube jogar foi o Crazy Taxi no pc).
Eu tive a sorte de andar atrás dos gatos, dos cães, de vitelos, de fazer mini-palheiros de pedra e brincar com a minha colecção de miniaturas de animais junto da criptoméria do jardim à entrada do portão onde existia uma qualquer planta - e ainda existe- que eu chamava de "ervinha" onde os animais pastavam, de fazer "sopas" em mini-panelas com verduras e ervas que ia buscar à horta lá de casa (e não com as que fosse buscar ao frigorífico e nem soubesse de onde vinham), de andar nos baloiços que o meu pai fez no chorão (não faço a mínima ideia do correspondente no continente dessa árvore mas tenho a certeza que não é o arbusto rastejante que aparece no google) do jardim, de ir buscar os ovos todos os dias, de sujar os pés ao ir alimentar o porco com a minha mãe, de chorar como uma desalmada quando pisei um figo num fim de tarde de um fim de verão de um dos anos da minha infância, de ter um amigo que se lembrou de tirar todos os peixes do poço do jardim (onde, agora que falei dele, caí com 2 anos) e eu ter ajudado, de ter ido às macieiras apanhar as primeiras maças (e as outras) e comê-las a correr pela canada, de "ir ao pasto" (o que significa ver ordenhar as vacas) e ficar lá sentadinha a meio da casa, de sair para a casa da tia Lúcia para falar com ela sobre as galinhas, o tear, e com o Ti João sobre os bandolins, a horta, de falar com o Zé sobre os parentescos dos gatos dele e dos nossos e ficar sentadinha ao pé dele enquanto ele trabalhava fosse a mondar (arrancar as ervas, sabem?), fosse a fazer o que fosse, de ir com os meninos da escola para um parque florestal (não era bem mas perceba-se a ideia) apanhar trevos de 4 folhas e pedir desejos, de pegar em caixas de leite mimosa na escola e passar os intervalos a "esgravatar" na terra à procura de bichos-de-conta, de andar de bicicleta pelo caminho sem que a minha mãe tivesse medo que me acontecesse alguma coisa, etc etc. 

1 invasões:



alos disse...

Adorei este post :)

Somos mesmo umas privilegiadas ;)
Nunca consigo participar em conversas sobre desenhos animados da nossa geração.. Nem sei nada de Pokémons :P

E também nunca me fez falta a consola ou essas coisas.. Nem as distingo umas das outras xP

Giro giro é ter a oportunidade de ver as vaquinhas terem os filhotes ;)